Introdução


Daguerreótipo de 1843. De autor desconhecido,
vemos Hogg fotografando no estúdio de Richard Beard.

Apenas quatro anos depois da novidade de Daguerre, os estúdios já adquiriam muita importância nas maiores capitais européias.

Ambição burguesa

O desejo de expressar em imagens aquilo que os olhos percebem certamente acompanhou o homem desde os primórdios de sua existência. Mas o desejo de representar a realidade visível de uma maneira específica - sonhando em reproduzir com perfeição a visão humana (como veremos, uma determinada visão humana) - é uma ambição localizada. Uma ambição ocidental, de uma civilização urbana e burguesa.
A fotografia nasceu de conhecimentos esparsos, que abrangem várias áreas do saber e foram adquiridos em diversos pontos do planeta, em diferentes épocas. Mas foi na parte mais urbana e industrializada da Europa do século XIX que eles se agruparam em torno de um meio mecânico de registrar a imagem. Um feito que, visto com mais de um século e meio de distância, parece-nos natural e inevitável.

Tão natural que, por vezes, nos faz esquecer os anseios dos homens sob a deslumbrante história da técnica.

O sonho da ciência e da arte capturarem a realidade com a maior objetividade possível começou a se formar na mente dos homens da Renascença. Foi no mundo urbano do século XIV que o ser humano começou a transformar seus sentidos, a maneira de abarcar a realidade.

O domínio crescente das leis da natureza, proporcionado pelos homens de ciência, lentamente foi se correspondendo com os desejos dos artistas. Nasciam assim o homem e o olhar modernos, que passariam mais cinco séculos em busca de uma representação objetiva e verdadeira.

Em 1839, quando surgiram as máquinas de Talbot e Daguerre, a notícia espalhada aos quatro ventos soou fantástica para os ouvidos de então, a ponto de muitos ficarem incrédulos. Dizia-se que a natureza reproduzia-se a si mesma, eliminando o papel do homem como intérprete e reduzindo-o ao intermediário que apenas acionava a máquina. Outros, mais afoitos, proclamavam o fim da pintura. Mas logo se percebeu que o invento não prescindiria da subjetividade, do olho de cada ser humano.

E uma nova maneira de expressar o mundo começava a construir sua história.


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